Páginas

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Cronica: Canastra com morto ou sem morto


Aprendi com meus pais a jogar canastra, meu pai, um virginiano "calculista" daqueles que sabem todas as cartas que todo mundo tem, e quem levou o que. Minha mãe, chamávamos de "lixeira" até brincávamos, meus irmãos e eu, que ela não teria dedos suficientes para segurar tantas cartas, quem estava depois dela na rodada, não conseguia pegar a mesa pois ela tudo juntava e articulava montes de frentes de jogos.
Bem, sabendo disso, vocês podem imaginar que eu quase nunca tive oportunidade de ganhar alguma partida deles, mas me esmerava para isso. E com o inocente jogo de cartas em família aprendi muito.
Hoje na vida - a exemplo do jogo de canastra - quando vejo que o jogo está perdido, já nem "cato" mais nada da mesa.
Cumprimento o adversário, como fazia com meus pais, admito minha inabilidade mas, sempre volto a jogar, sou da opinião que só tentando e tentando sempre melhorar é que nos esmeramos para "jogar " melhor.
"Naquele momento" a partida está perdida, e o jogo termina.
(.... a não ser que eu pegue o "morto" )
- Cest la vie - pocker eu não jogo não !

Kate Weiss

O AMOR

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer


Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

Fernado Pessoa

Eu amo tudo o que foi

Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.


Fernando Pessoa

Cronica:Sinceridade de criança

Era uma época de "vacas magras".
Morava só com meu filho, pagando aluguel, ganhava pouco e fui convidada para a festa de aniversário de uma grande amiga. O problema é que não tinha dinheiro messmoooooo.

Fui a uma relojoaria à procura de uma pequena jóia, ou bijouteria mesmo, algo assim, e pedi à balconista:
- Queria ver alguma coisa bonita e barata, para uma grande amiga!
Ela me mostrou algumas peças realmente caras, que na época eu não podia pagar. Então eu pedi:
- Posso ver o que vc tem, assim... alguma coisa mais baratinha?
e a moça me trouxe um pingente folheado à ouro...bonito e barato.
Eu gostei e levei.

Quando chegamos ao aniversário, (eu e meu filho) fomos cumprimentar minha amiga, que ao abrir o presente disse:
- Nossa, muito obrigada!!!!! que coisa linda!!!!!

E meu filho na sua inocência de criança bem pequena, sem saber bem o que significava a expressão "baratinha" completou:
-E era a mais baratinha que tinha!!!. :-((